Translate

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

"Palmas na Santa Missa, pode ou não?"

Por diversas vezes, já se falou sobre o tema, como pode ser comprovado, por exemplo, AQUI e AQUI. No entanto, é um tema que muitos fiéis ainda questionam a respeito. 


O fato é que têm circulado em diversos sites, blogs e redes sociais imagens como a seguinte:


Isso, baseando-se no seguinte vídeo, onde em diversas línguas, os comentaristas/tradutores do Vaticano pedem aos fiéis presentes na celebração da Santa Missa para não baterem palmas, gritarem, ou agitarem bandeiras para assim, não se perturbar a Ação Litúrgica:


É bom ter claro que, enquanto Papa, Bento XVI nunca disse tais palavras, mas, enquanto Decano dos Cardeais e Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em seu livro "Introdução ao espírito da Liturgia", subentendeu-se tal afirmação que, em língua portuguesa, pode ser lida a explicação lógica, histórica, coerente e doutrinal a respeito das palmas durante a Santa Missa, quando trata da dança na Liturgia (grifos e ressalvas entre colchetes nossos):
"A dança não é uma forma de expressão cristã. Já no século III, os círculos gnóstico-docéticos [portanto, uma Heresia!] tentaram introduzi-la na Liturgia. Eles consideravam a crucificação apenas como uma aparência: segundo eles, Cristo nunca abandonou o corpo, porque nunca chegou a encarnar antes da sua paixão; consequentemente, a dança podia ocupar o lugar da Liturgia da Cruz, tendo a cruz sido apenas uma aparência. As danças culturais das diversas religiões são orientadas de maneiras variadas - invocação, magia analógica, êxtase místico; porém, nenhuma dessas formas corresponde à orientação interior da Liturgia do "Sacrifício da Palavra". É totalmente absurdo - na tentativa de tornar a Liturgia "mais atraente" - recorrer a espetáculos de pantomimas de dança - possivelmente com grupos profissionais - que, muitas vezes (e do ponto de vista do seu desígnio com razão), terminam em aplauso. Sempre que haja aplauso pelos atos humanos na Liturgia, é sinal de que a natureza se perdeu inteiramente, tendo sido substituída por diversão de gênero religioso. [...] A Liturgia só pode atrair pessoas olhando para Deus e não para ela própria; deixando-O ingressar e agir."
(RATZINGER, Joseph. Introdução ao espírito da Liturgia. 3ª Edição. Paulinas: Prior Velho, Portugal, 2010. pp. 146 e 147.)

Partindo do que nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, nos números 1362, 1366, 1382, 1409, a Santa Missa é o "Memorial da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor", aqui, procuramos demonstrar claramente que as palmas proibidas são aquelas ritmadas para acompanhar músicas.

Na Liturgia, como em tudo, existe o momento certo e adequado para cada coisa acontecer. Este tipo de acompanhamento (palmas) tem seus momentos específicos, como podemos verificar na celebração dos Sacramentos e Sacramentais, dentro da ou fora Missa, de acordo com as rubricas:

No Ritual do Batismo de Crianças:

76. A assembléia pode manifestar sua alegria com uma salva de palmas. A família acolhe o neobatizado com um beijo ou outro gesto de afeição.

No Ritual do Matrimônio:

65. [Após o Consentimento], O sacerdote convida os fiéis para o louvor a Deus, que respondem “Graças a Deus” ou outra fórmula de aclamação. [Palmas].

Introdução Geral: Ordenação de Diácono, Presbítero e Bispo, nº 11:

Compete às Conferências dos Bispos:

a) Definir o modo como a comunidade vai aprovar a escolha dos candidatos, de acordo com o costume da região (na Ordenação de Bispo, nn. 38 e 74; na Ordenação de Presbíteros, nn. 122, 150, 266 e 307; na Ordenação de Diácono, nn. 198, 266, 264 e 305).

Outros momentos oportunos:

·        Na criação de Cardeais, quando o Papa diz o nome do novo Cardeal, a assembleia na basílica costuma-se aplaudir. Também nalgumas celebrações quando antes dos ritos iniciais, o Ordinário do local dirige uma mensagem ao Papa, em geral se conclui com palmas. 

·        Na posse de Párocos, após a Profissão de Fé e Juramento de Fidelidade e após a alocução do novo pároco à comunidade, os fiéis também podem aclamá-lo com as palmas.

E isso, para se ter em conta que se trata de uma regra universal e válida, inclusive para os grupos que se utilizam das expressões corporais como forma de louvor a Deus e que fazem uso de danças e músicas ritmadas com palmas em suas reuniões. Não há problema que eles usem isso em suas reuniões, o problema é tentar adaptar a Liturgia ao seu grupo, como dito no texto do Cardeal Ratzinger.

Tenha-se claro que não se trata também de uma forma intimista ou uma "característica privada" de grupos; Antes, como uma "Lei" serve para coibir e mesmo alertar os fiéis a respeito de atos errôneos e os modos como evitá-los. Para isso servem as leis. E caso sejam infringidas, existem as penas a serem cumpridas, como a acusação durante a confissão sacramental.

Claro que não se pode entrar em méritos ou desméritos relativistas da contemporaneidade de que, "no fim das contas, o que importa é o coração, é o amor..." Sim! Importa sim o amor e o zelo com que toda ação litúrgica se volta para Aquele que é Amor, como sinal de retorno do dom recebido pelo "Deus-Amor."

Nem sempre questões religiosas podem ser respondidas com "pode" ou "não pode", visto que é algo muito simplista; Aqui não se trata apenas de uma restrição, mas de reflexões do Magistério sobre a Eucaristia. Muitas vezes, por detrás de um "não" que a Igreja dá, existe um valor tentando ser preservado. Às vezes um "não" que se dá em um determinado momento é para tentar corrigir situações que estão erradas, até poder dar um "sim" do jeito acertado. Um "não" bem dito, ajuda em um "sim" melhor acolhido posteriormente.

De toda forma, se nem para o Hino Nacional, em termos cívicos, batem-se palmas, como um ato de respeito, o que se dirá na Santa Missa!


Por Felipe Botelho

6 comentários:

  1. Felipe Botelho,

    Preciso falar-te.

    O post é magnífico, não há dúvidas. Mas, para começar devias trocar o "Fonte:" por "Postado originalmente em ___ por tal ___", afinal nada acrescentastes para vir até aqui e dizer que foi uma fonte, dando a impressão de que escrevestes algo aí e - acompanhando tuas ações na internet - sei que seria um desastre, pois ainda não sabes escrever do modo correto.
    Aliás, devias, ao menos, humildemente, pedir a alguém que revisasse tuas postagens. Tua intenção é boa, mas não estais preparado.
    Ao invés de manter-se logado perdido em palavras, compartilhamentos, comentários e curtidas deverias ir ao encontro dos ensinamentos dos Padres da Igreja. Resgatar o Magistério dos dois mil anos do Corpo de Cristo, ficando, assim, resguardado ao silêncio, pois "é preciso calar e ter silêncio ao seu redor para poder ouvir a voz de Deus" para só, então, compreender tais ensinamentos.
    Além disso, lembra-te: mesmo o Filho de Deus ficou anos em silêncio até iniciar sua vida pública (aos 30 anos). És ainda um adolescente e queres gritar como se fosse um Doutor da Lei.
    Calai, jovem! Calai, pois teu tempo não chegou.

    - Alguém que sabe escrever alguns parágrafos sem cometer graves erros gramaticais.

    ResponderExcluir
  2. Bom primeiramente quero dizer que tenho um tablet e como vocês sabe é muito difícil escrever na tablet então cometo muitas vezes vários erros de português e mais me considero sim um "Doutor da Lei" pois eu estou no meu Blog pessoal onde falo o que quero e bem entendo e nada que eu falo neste Blog esta errado pois eu me dedico a estudar a igreja e a liturgia e falo sem medo oque esta errado não sou como você não quis revelar a sua identidade por medo(acho eu). Não sou a pessoa que concordar com tudo que o Padre tal fala ou o que Bispo tal fala eu vou e pesquiso se ele estiver errado eu vou contra mas se ele estiver certo eu apoio e tenho muita alegria de ser assim, pois me considero apenas um soldado da liturgia, da fé e do Santo Padre que é muito conservador e obediente as rubricas interpreto tudo isto como vontade de que Deus quer mudar a nossa igreja que esta cheia de Padre e Bispos o que não sabem o que missal romano diz, oque o código de direito canônico diz e o que o catecismo diz!!

    ResponderExcluir
  3. Tanta liturgia e tanto rubricismo não são o que leva ninguém para o céu. Nossas celebrações, nossos padres estão precisando de mais acolhida, mais amor. De que adianta vestes pomposas, coreografias perfeitas, decorações sofisticadas que não levam o povo simples a sentir a presença de Deus. Precisamos de padre mais pastores, que queiram servir, ir ao encontro dos irmãos, descerem de seus "pedestais" e se igualarem mais ao povo.
    O problema é que muitas pessoas estão confundindo o que é Igreja, o que é celebração. Missa não é teatro onde pessoas achegadas a decoração, coreografia, corte e costura e artesanato devam se realizar. Pra isso já temos carnaval, desfiles de moda, bailes à fantasia, fashion weeks e afins...
    Seria mais louvável que este jovem (que parece ser bem inteligente) ocupasse seu tempo com experiências de caridade, de pastoral prática, de protagonismo pastoral jovem (coisa muito em falta) e viesse aqui para escrever os resultados de seus esforços, contar suas experiências e ações práticas de PASTORAL.
    É impressionante como há uma onda de legalismo e apego a tradições superadas que mais afastam as pessoas da Igreja, principalmente entre alguns jovens.
    Rogo a Deus que com o Papa Francisco, novos ventos soprem sobre nossa Igreja e que haja menos lugar para pretensos liturgistas e mais lugar para servos, bons samaritanos, agentes de pastoral na prática. Menos tecidos bordados e mais cobertores, menos altares ricamente enfeitados e mais mesas de refeição para os pobres. Menos cadeiras presidenciais (tronos?) e mais bancos com lugares principalmente para os pobres, maltrapilhos, abandonados, depressivos, desanimados, sofredores. Que todos possam se sentir bem vindos aos nossos templos e sintam a alegria de encontrar Jesus.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Meu querido(a) "Anonimo" acha que vc não conhece minha vida e meu trabalho pela Igreja, participo da Legião de maria na qual faço trabalho de Evangelização toda a semana, mas pedirem para o Meu Amigo Dom Antonio Carlos Rossi Keller, que tem mais de 50 seminarista na sua Diocese de Frederico Westphalen, com todo esse "Legalismo" que afastam a Igreja do Jovem acho que é a Diocese do RS q tem mais seminarista!!

      Excluir
    2. Há um ditado que diz: "Quando o palhaço é muito enfeitado é sinal de que o circo não é muito bom". O apego excessivo às aparências é sinal de espiritualidade fraca, dificuldade de conviver com o transcendente.
      E há ainda outro ditado que diz: "Quantidade não é sinal de qualidade."

      Excluir
    3. O corajoso anônimo refere-se a que em relação à qualidade dos seminaristas de minha Diocese? O que você conhece dos meus seminaristas para usar esta dúvida a respeito da qualidade dos mesmos?

      Excluir